Quando o assunto é reprodução humana, surgem muitas dúvidas. Não só em relação aos métodos em si, mas também sobre a viabilidade da reprodução assistida em diferentes grupos.
Os casais sorodiscordantes e os casos de incompatibilidade sanguínea são alguns exemplos. Afinal, como funciona a reprodução humana nesses casos? Existem restrições?
Para esclarecer estas e outras dúvidas, preparamos esse artigo completo sobre o assunto. Siga a leitura e entenda como a reprodução humana pode contribuir com esses casais
Sorologia e reprodução humana nos casos de incompatibilidade sanguínea
A incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto ocorre quando o grupo sanguíneo da mãe possui anticorpos que atacam células do tipo sanguíneo do bebê. Isso ocorre tanto por diferenças no sistema ABO, quanto do fator Rh presente no sangue.
Esta reação afeta mais o bebê do que a mãe em si, provocando anemias, ascite, entre outras complicações. Em alguns casos, essa incompatibilidade pode levar até mesmo ao aborto espontâneo.
Por isso, existem alguns cuidados preventivos que se deve tomar no pré-natal para evitar que essa reação aconteça.
Na reprodução assistida ocorre o mesmo. Ou seja, os cuidados de aconselhamento nesses casos são os mesmos de uma gestação espontânea.
No geral, recomenda-se aos casais que irão realizar procedimentos de reprodução humana que selecionem um doador com tipagem sanguínea que possibilite ao bebe nascer com o mesmo tipo sanguíneo que nasceria caso fossem usados gametas próprios.
Sendo assim, mulheres com tipagem sanguínea negativa não são obrigadas a receber espermatozoides ou óvulos doados do mesmo tipo. De todo modo esta é uma decisão que deve ser tomada antes de dar sequência ao tratamento, seja por questões de confidencialidade, quanto pelos cuidados a serem adotados no processo em caso de uma possível reação de incompatibilidade entre mãe e bebê.
Sorologia e reprodução humana em casais sorodiscordantes
Até meados de 2005, a recomendação é que esses casais acometido por uma doença sexualmente transmissível (como HIV, Hepatite B e C, e HTLV) não passassem por gestação. Contudo, desde então houveram muitos avanços na medicina, o que viabilizou um controle maior dessas doenças.
Com isso, esses casais ganharam a chance de poder ter uma família completa. Mas, uma gestação natural ainda está sujeita a riscos para o parceiro que não é contaminado. Ainda que as relações desprotegidas, ocorram apenas no período fértil.
Quando a pessoa infectada é a mulher, ainda há o risco de transmissão vertical para o bebê, durante a gestação, parto e aleitamento. Além disso, vale destacar que essas infecções acabam comprometendo os parâmetros seminais e a fertilização. O que dificulta a conquista do tão sonhado positivo.
Por isso, nesses casos o melhor caminho é a reprodução humana assistida.
Em homens com hepatite C e HIV, é possível usar a técnica de purificação do sêmen na reprodução humana para eliminar as chances de transmissão do vírus. No caso da hepatite B, é feita uma vacina na mulher.
Mas, vale destacar que é importante que tanto o no homem, como na mulher é fundamental que a carga viral esteja baixa.
Doenças e forma de manejo
Veja abaixo como é o manejo em cada tipo dessas infecções:
Infecção pelo HIV
Há 3 situações:
- Homem infectado e parceira soronegativa: para evitar a contaminação da parceira, deve se usar a técnica de negativação do vírus no sêmen através de PCR. Aqui o sêmen é filtrado e lavado. Após avaliação do espermatozoide e da mulher se aplica a inseminação intrauterina ou a fertilização in vitro;
- Mulher infectada apenas: a paciente deve estar com o nível de linfócitos T CD4 entre 200 e 400 cels/mm3. A sugestão aqui é a auto inseminação. Durante a gestação é necessário uso de antirretrovirais para assim diminuir o risco de contaminação;
- Casal infectado: a definição aqui vai depender da carga viral e saúde da mulher para fazer reprodução humana assistida. Ou ainda há a possibilidade de sexo sem preservação durante o período fértil, isso se a carga viral for praticamente nula.
Hepatite C
Enquanto a doença estiver em uma fase aguda não é possível fazer reprodução humana assistida. Sobretudo porque há grande chance de infectividade. Mesmo após 6 meses do tratamento interferon e ribavirina não está indicado fazer o procedimento.
Hepatite B
No caso da Hepatite B, é necessário usar a vacina para proteção, mas o casal pode tentar uma gestação espontânea.
HTLV
Quando o homem é portador e a mulher não, a chance de ocorrer transmissão é de 60%. Por isso, é necessário usar a reprodução humana assistida com técnica de lavagem de sêmen.
A reprodução humana é uma boa opção para os casais que possuem essas infecções. Portanto estude as possibilidades e converse com seu médico!